segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Encontros Cinematográficos

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Cinema - conferências no Teatro Municipal da Guarda

http://encontroscinematograficos.blogspot.com/

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Programação Setembro – Dezembro 2010

8 SETEMBRO, às 21.30, no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG)

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A CORTE DO NORTE de JOÂO BOTELHO

Portugal, 2008, 122’, M/16, DVD

Sinopse

Esta é a história de Emília de Sousa, a maior actriz que o teatro português conheceu nos finais do séc. XIX, que abandonou por uns anos a carreira para se casar com o rico madeirense Gaspar de Barros e transformar-se na baronesa Madalena do Mar. Tão bela quanto Sissi, a imperatriz da Áustria, com quem conviveu no Inverno de 1860/61, decidiu construir um mistério que perdurou por quatro gerações e por mais de um século. Ana Moreira, a protagonista, interpreta Sissi e as mulheres das quatro gerações da família: Rosalina/Emília, Águeda e Rosamund. Adaptado do romance homónimo de Agustina Bessa-Luís, o filme retoma um projecto antigo do malogrado realizador José Álvaro Morais (1943-2004).

Com Ana Moreira, Ricardo Aibéo, Rogério Samora, Laura Soveral, João Ricardo

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19 OUTUBRO, às 21.30, no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG)

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Recordações da Casa Amarela de JOÃO CÉSAR MONTEIRO

Portugal, 1989, 120’, M/12, 35MM

Sinopse

Lisboa, 1989: Um pobre-diabo de meia-idade vive no quarto de uma pensão barata e familiar, na zona velha e ribeirinha da cidade. Atormentado pela doença, e por vicissitudes de ordem vária, o idiota, que se alimenta de Schubert e, quiçá, de uma vaga cinéfila como forma de resistência à miséria, é posto no olho da rua, após tentativa fruste contra o pudor da filha da dona da pensão.

Sozinho, e privado de quaisquer recursos, vê-se confrontado com a dureza do espaço urbano, e é internado num hospício, de onde sairá por ponderada decisão de homem livre, para cumprir uma missão "rica e estranha" que lhe é indicada por um velho amigo, doente mental como ele: "Vai, e dá-lhes trabalho!".

E aqui para nós, a rir a rir, algum tem dado...

Com João César Monteiro, Manuela de Freitas, Ruy Furtado, Teresa Calado, Duarte de Almeida, António Terrinha, Violeta Sarzedas, Madalena Lua, João Pedro Bénard, Sabina Sacchi, Inês de Medeiros, Manuel Gomes, Maria Ângela de Oliveira

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10 NOVEMBRO, às 21.30, no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG)

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Aparelho Voador a Baixa Altitude de Solveig Nordlund

Portugal, 2002, 80’, M/12, 35MM

Sinopse

Adaptação a partir do conto homónimo de J.G. Ballard, o mesmo autor de Império Do Sol e Crash

Num futuro próximo, o mundo não é muito diferente do que é hoje, com uma excepção... Há muito poucas pessoas. E nenhuma criança. A raça humana está a caminho da extinção. Por alguma razão as mulheres já não engravidam. As poucas que o conseguem só geram seres mutantes que são imediatamente eliminados pelas autoridades. Judite Foster é fértil: já engravidou por seis vezes. De cada vez, os obrigatórios testes de gravidez mostram que se trata de um mutante e Judite foi forçada a abortar. Agora ela engravida novamente. E pensa - e se os complicados testes que fazem ao feto forem a causa das mutações? Ela e o seu marido, André, fogem da cidade para um hotel numa pequena e decadente estância balnear, na orla do continente, onde não há polícia e não há lei. Lá, Judite fica ao cuidado do enigmático Doutor Gould, que desaparece frequentemente no seu pequeno avião. Onde vai Gould? O que anda a fazer? Os temas do nascimento e da vida, da morte e do futuro misturam-se quando Judite finalmente dá à luz. Só agora Judite e André compreendem que é Gould que detém a chave da sua salvação. Só agora compreendem o significado dos voos de Gould. A solução é absolutamente estranha e animadora. Um novo mundo está a nascer, e Judite e André têm um papel na sua criação.

Com Margarida Marinho, Miguel Guilherme, Rui Morrison, Rita Sá, Canto e Castro, Isabel de Castro

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2 DEZEMBRO, às 21.30, no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG)

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DUAS MULHERES de João Mário Grilo

Portugal, 2009, 99’, M/16, 35MM

Sinopse

Joana (Beatriz Batarda) e Paulo (Virgílio Castelo) são um casal aparentemente feliz, com estabilidade monetária e sem problemas de maior. Ela é psiquiatra; ele tem um cargo de topo numa multinacional. Num dia que parecia igual a todos os outros, Joana conhece Mónica (Débora Monteiro) que, com a sua beleza e juventude, vem representar tudo o que Joana foi no passado e, mais ainda, o que poderia ter sido caso tivesse tido a coragem necessária. Entre elas nasce uma atracção física incontrolável que ultrapassa os limites e que as conduzirá, inevitavelmente, à tragédia.

Com Beatriz Batarda, Nicolau Breyner, Virgílio Castelo, Débora Monteiro

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Programação Abril – Julho 2010

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PERFILADOS DE MEDO

 

Perfilados de medo, agradecemos

o medo que nos salva da loucura.

Decisão e coragem valem menos

a vida sem viver é mais segura.

 

Aventureiros já sem aventura,

perfilados de medo combatemos

irónicos fantasmas à procura

do que não fomos, do que não seremos.

 

Perfilados de medo, sem mais voz,

o coração nos dentes oprimido,

os loucos, os fantasmas somos nós.

 

Rebanho pelo medo perseguido,

já vivemos tão juntos e tão sós

que da vida perdemos o sentido.

 

ALEXANDRE O’NEILL

Poemas com Endereço, 1962

 

É com o Portugal inquisitorial e salazarista do "Natal 71" que abrimos, em Abril, a programação quadrimestral do Cineclube.

Convocamos o poema "Perfilados de Medo" do Alexandre O’Neil para esta reflexão que suscitamos sobre o que fomos e o que somos.

Temos um grande plano sempre presente nos quatro filmes a apresentar. A nossa marca. Sempre com o cinema em português, rasgamos o olhar ao medo e à sujeição, à impotência e ao conformismo, à traição e à mentira, mas também à resistência e consciência social, ao orgulho e á altivez de seres de vontade indómita e finalmente aos desejos que nessa noite escura nos são falsamente permitidos satisfazer.

Podemos dizer que "vivemos como crianças perdidas as nossas aventuras incompletas" como nos faz o favor de lembrar alguém, um conhecido e perverso desmancha-prazeres.

Mas há um clube onde tudo é permitido. Em directo e ao vivo. Isto é directamente vivido. Pelas mãos da Margarida, da Rita, da Teresa e da Raquel vamos chegar a esse limiar.

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7 de Abril, às 21.30, no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG)

 


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NATAL 71 de MARGARIDA CARDOSO

 

Portugal, 2000, 57’, M/12

 

DOCUMENTÁRIO


Sinopse
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Natal 71 é o nome de um disco oferecido aos militares em guerra no Ultramar português nesse mesmo ano. Cancioneiro do Niassa é o nome que foi dado a uma cassete áudio, gravada clandestinamente por militares ao longo dos anos de guerra, em Moçambique. Era o tempo em que Portugal era um grande império colonial pelo menos era o que eu lia nos livros da escola - e para que assim continuasse, o meu pai e grande parte da sua geração combateu nessa guerra, que durou treze anos. Hoje transportamos, em silêncio, essas memórias. Olho para trás e tento ver. Em casa do meu pai encontrei algumas fotografias, a cassete e o disco. A cassete é uma voz de revolta, o disco é uma peça de propaganda nacionalista. São memórias de uma ditadura fascista. Memórias de um país fechado do resto do mundo, pobre e ignorante, adormecido por uma propaganda melosa e primária que nos tentava esconder todos os conflitos, e que nos impedia de pensar e de reconhecer a natureza repressiva do regime em que vivíamos.

 

Margarida Cardoso

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4 de Maio, às 21.30, no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG)

 

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FRÁGIL COMO O MUNDO de RITA AZEVEDO GOMES

 

Portugal, 2000, 90’, M/12

Sinopse
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"Terror de te amar num sítio

tão frágil como o mundo."

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

 

Com título e epígrafe colhidos num poema de Sophia de Mello Breyner, "FRÁGIL COMO O MUNDO" foi a segunda longa-metragem de Rita Azevedo Gomes. Um universo poético muito pessoal, filmado num preto e banco austero mas sempre rigorosamente composto (fotografia de Acácio de Almeida), para uma história que é um pouco como o encontro dos magoados adolescentes dos filmes de Nicholas Ray com o lirismo sanguíneo de Werner Schroeter.

com
Maria Gonçalves, João Bruno Terra, Sophie Balabanian, Carlos Ferreira, Manuela de Freitas, Duarte de Almeida (João Bénard da Costa)

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1 de Junho, às 21.30, no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG)

 

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TRÊS IRMÃOS de TERESA VILLAVERDE

 

Portugal, 1994, 108’, M/12


Sinopse
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Lisboa nos anos noventa. Três irmãos, dois rapazes e uma rapariga, Maria.

Maria é o centro da nossa história. Tem vinte anos, mas não consegue comportar-se como a maioria das pessoas da sua idade. Quase nunca diz o que pensa, nem pede o que quer. Quase nunca diz a verdade embora nunca minta. Mata e não diz que matou. Sofre e não diz que sofreu. Não quer estar sozinha, mas não pede companhia. Ama, mas não sabe quem ama. Nasceu em Lisboa e nunca foi nem irá a outra cidade.

Maria quer estar sempre com os seus irmãos, mas não pode, porque o mundo não foi organizado assim. Maria quer aguentar tudo sozinha. Quer ser forte, tomar conta de todos. Guardar todos os segredos, os seus e os dos outros. Não é capaz, a dor é muito grande e ela não aguenta. Tem a polícia atrás dela, deixou de ter emprego. Tem de tomar conta do pai, alguém morreu e ela guardou segredo e tratou de tudo sozinha. No fim Maria toma uma decisão. É uma decisão brutal e definitiva.

Não é alegre esta história, mas às vezes a vida também é assim.


com Maria de Medeiros, Marcello Utghege, Laura Del Sol, Mireile Perrier, Evegni Sidihin, Olimpia Carlist, Fernando Reis Júnior, Luís Miguel Cintra

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7 de Julho, às 21.30, no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG)

 

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VENENO CURA de RAQUEL FREIRE

 

Portugal, 2008, 100’, M/16


Sinopse
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Segunda longa-metragem de Raquel Freire, depois de "Rasganço". "Veneno Cura" fala de um Porto em que se morre de amor e onde há um clube, o Imperatriz, onde tudo é permitido. Um momento em que todos se cruzam na noite escura.

Há um momento em que todos nos cruzamos. Na noite escura. Quando perdes tudo o que há para Perder, o que é que te faz continuar? O teu pior? O teu melhor? O que te impede de te atirares da ponte na primeira oportunidade? O que és capaz de fazer para sobreviver à mais terrível das dores? Amas com as tripas de fora. O que és capaz de fazer por amor? Como é que sobrevives com o coração partido? Quanto tempo dura um sentimento? Tem prazo? Já morreste de amor? Não se pode viver sem amor. O amor salva. O amor mata. O amor cura. Há um Porto onde se morre de amor. Há um clube onde tudo é permitido. Imperatriz. Vem.


com Sofia Marques, Susana Vidal, Sandra Rosado, Miguel Moreira, João Garcia Miguel, Gonçalo Amorim, Ana Ribeiro, Ana Margarida Carvalho

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domingo, 10 de janeiro de 2010

Programação Janeiro - Março 2010


13 de Janeiro, às 21.30, no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG)



Morrer Como Um Homem, de João Pedro Rodrigues

Portugal, 2009, 133’, M/18

Sinopse: 

Um drama inspirado na história verídica de Ruth Bryden (ou Joaquim Centúrio de Almeida), um famoso travesti das noites de Lisboa, e do seu companheiro Paulo Oliveira, que viveram como mulher e marido durante nove anos e foram enterrados juntos como dois homens em 1999. No filme, Tónia (Fernando Santos) é uma transformista que se sente a envelhecer e cuja vida está a perder o "glamour". Pressionada por Rosário (Alexander David), o seu namorado mais jovem, a optar pela cirurgia de mudança de sexo, Tonia percebe que, independentemente da decisão tomada, nunca poderá ser totalmente verdadeira consigo mesma. Em grande conflito interior, Tonia e Rosário fazem uma viagem mística que lhes marcará um encontro com Maria Bakker (Gonçalo Ferreira De Almeida). Esse encontro vai ser uma viragem completa nas suas vidas. Um retrato trágico do quotidiano de um travesti, devastado entre viver como uma mulher ou morrer como um homem...

com Alexander Davdi, Gonçalo De Almeida, Jenni La Rue


10 de Fevereiro, às 21.30, no Pequeno Auditório do TMG



Daqui pr'á Frente, de Catarina Ruivo

Portugal, 2007, 97’, M/12

Sinopse: 
Dora é uma esteticista que divide o seu tempo entre a profissão, o marido, António, que é polícia, e as reuniões do pequeno partido de esquerda a que pertence. Uma história de amor e como temos que aprender a existir e a resistir no quotidiano enquanto procuramos a felicidade.

com Adelaide de Sousa, António Pedro Figueiredo, Marcello Urgeghe, Rita Durão, Luís Miguel Cintra, Isabel Ruth, Paula Sá Nogueira, Ricardo Aibéo, Alexandre Pinto e Edgar Morais


3 de Março, às 21.30, no Pequeno Auditório do TMG



4 Copas de Manuel Mozos

Portugal, 2006, 106’, M/12

Sinopse: 
Depois de "Xavier" (1992) e "Quando Troveja" (2002) e "Ruínas" (ainda não estreado), Manuel Mozos regressa aos cinemas com esta longa-metragem de ficção, com a cidade de Lisboa como pano de fundo, sobre pessoas comuns que vivem e partilham problemas comuns.
Diana (Rita Martins), a entrar na idade adulta, vive despreocupadamente as suas aventuras amorosas. Mora com o pai (João Lagarto), um homem tranquilo e pouco exigente, e com a madrasta Madalena (Margarida Marinho), uma mulher frustrada e viciada no jogo. Um dia descobre que Madalena trai o seu pai com Miguel (Filipe Duarte), um segurança muito atraente e mais jovem, que dá aulas de escalada nas horas vagas. Com o intuito de salvar o casamento do seu pai, Diana aproxima-se de Miguel. Mas acaba por descobrir o amor...

com Rita Martins, João Lagarto, Margarida Marinho, Filipe Duarte, Nuno Viriato, Diana Costa e Silva


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Festas Felizes

O Cineclube da Guarda deseja a todos os associados, amigos, simpatizantes, curiosos e futuros amigos um Feliz Natal e um auspicioso Ano Novo. Se possível cheio de bons filmes. A imagem que segue vem bem a propósito. Capta um momento particularmente feliz da história do cinema...


"It´s a Wonderful Life" (1946), de Frank Capra, com James Stewart e Donna Reed


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Festival "Olhares sobre o Mundo Rural" (2)

É da seguinte forma que a Agência Lusa noticiou o Festival "Olhares sobre o mundo rural", que começa amanhã, num texto do jornalista Daniel Gil:


16/12/2009 12:57 (LUSA)
Temas: Artes, Cultura e Entretenimento, Cinema
Trancoso, Guarda, 16 Dez (Lusa) – O festival de cinema “Olhares Sobre o Mundo Rural”, que começa sexta-feira em Trancoso, é considerado uma "mostra única" sobre a temática da ruralidade em Portugal, e tem na sua quarta edição o tema “Fronteira e Memória”.
Pela primeira vez selecciona dois autores espanhóis.
Promovido pelo Cineclube da Guarda, este ano em parceria com a Associação Luzlinar, o certame, que se inicia sexta-feira no Teatro do Convento, em Trancoso, vai passar oito metragens em dois dias, com destaque para a antestreia do filme “Tourada”, do realizador Pedro Sena Nunes.
A iniciativa nasceu em 2006, com o subtítulo "Serões de cinema” e em parceria com a Associação Aldeia, explicou António Godinho, presidente da direcção do Cineclube da Guarda, acrescentando que o pretexto para a criação do festival foi o “cruzamento dos olhares no cinema sobre a ruralidade em Portugal”.
“A particularidade deste festival é ser o único que se realiza em Portugal sobre esta temática”, salientou António Godinho, coordenador da programação nesta quarta edição, explicando que nestas mostras se têm “procurado mostrar registos documentais sobre um universo em vias de desaparição: a ruralidade”.
“Espera-se com este certame dar a conhecer facetas menos conhecidas da ruralidade. Ou seja, das gentes que a habitam, da paisagem, mas também das adjacências económicas: exploração do subsolo, o contrabando, os espectáculos, etc.”, afirmou o também advogado António Godinho.
“Nesta edição destacaria a primeira apresentação do filme 'Tourada', de Pedro Sena Nunes, rodado na raia sabugalense, a passagem de 'Cordão Verde', de Hiroatsu Suzuki e Rossana Torres, recém-nomeado para o Festival de Locarno, ou a apresentação de dois filmes de António João Saraiva, um jovem realizador natural de Trancoso”, disse.
A ideia de “descentralizar” o festival acabou por se tornar uma realidade pela “necessidade de desenvolver um bom trabalho" com quem “apresentasse uma dinâmica cultural de vulto e uma sensibilidade especial para o tema, como é o caso da Luzlinar”, associação sediada no Feital, Trancoso, explicou.
Para António Godinho, nesta região existe uma “fruição de obras cinematográficas que, de um modo geral, acompanha a tendência para o consumo doméstico e personalizado”, fenómeno que “aqui ainda é agravado pela relativa escassez de salas com uma exibição regular”.
“Não há escolas de cinema, com excepção do curso existente na Universidade da Beira Interior, e ao nível da produção não existe uma única estrutura em funcionamento”, disse o também cronista e dramaturgo.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Este ano o Festival será assim



Promovido pelo Cineclube, este ano em parceria com a Associação Luzlinar (Feital, Trancoso), este certame tem como tema, na sua quarta edição, “Fronteira e Memória”. Irá realizar-se no Teatro do Convento, em Trancoso, um edifício quinhentista recentemente remodelado para albergar eventos culturais. Esta edição conta, na sua programação, com o precioso apoio do realizador Pedro Sena Nunes, de quem vão ser apresentados dois filmes, um deles, “Tourada”, pela primeira vez. Destaque também para a exibição de “Cordão Verde”, de Hiroatsu Suzuki, recém nomeado para o Festival de Locarno, na secção “Ici et Ailleurs”. Pretende-se, mais uma vez, aprofundar a troca de perspectivas cinematográficas sobre a ruralidade, os seus códigos, as suas margens, as suas dinâmicas, a sua função de conservação das memórias e das identidades. Serão exibidas obras nacionais e duas do outro lado da fronteira, ao longo de dois dias de cinema, debates e uma mini feira do livro.

PROGRAMA

Dia 18, Sexta
21.00 – Abertura.
21.30 – Sessão de curtas e médias metragens
1. “La esquina del tiempo”, Carla Alonso, Espanha, 2009, 30’, Cor
2. “Mulheres da Raia”, Diana Gonçalves, Portugal e Espanha, 2009, 60’, Cor
3. “Da Pele à pedra”, Pedro Sena Nunes, Portugal, 2005, 40’, Cor
23.45 – Conversa com Diana Gonçalves, a propósito do seu filme

Dia 19, Sábado
15.00 – Sessão curtas
1. "Um bando de passarinhos", de Zigud, 20'.
2. "Sabugueiro, Verão, 1050m", de António João Saraiva, 12’, prémio especial Serra da Estrela - Cine Eco 1995
3. "Gente de Fajãs" 59’, António João Saraiva, Grande prémio de Cinema Antropológico - Lisboa 2009
4. "Cordão Verde", 33', de Hiroatsu Suzuki e Rossana Torres, nomeado para o 62ª Festival de Locarno
17.15 - Debate, com a presença de António João Saraiva, realizador, e de Frederico Lucas, co-autor do projecto Novos Povoadores

21.30 Primeira apresentação do filme "Tourada" (95’), de Pedro Sena Nunes, com a presença do realizador
23.45 – Encerramento

Actividades paralelas:
Mini feira do livro, com edições do Centro de Estudos Ibéricos e Associação Luzlinar;
Instalação vídeo

NOTA: Consultar aqui Dossier do Festival

O Festival "Olhares sobre o Mundo Rural" tem sido assim



(clicar para aumentar)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A sagração

"Coco Chanel e Igor Stravinsky", de Jan Kounen: um registo competente e seguro quanto baste. Mas não é para uma apreciação crítica genérica do filme, do seu enredo romanesco, que aqui venho. Traz-me simplesmente a sequência inicial, relativa à estreia do ballet "Le Sacre du Printemps", no Théatre des Champs-Elysées, em Maio de 1913. Ou seja, da obra mais emblemática de Stravinsky, coreografada na ocasião por Nijinski. Tratou-se de um célebre espectáculo, que provocou um enorme tumulto na assistência, maioritariamente indignada. E que requereu mesmo a intervenção da polícia, pois o cenário na plateia estava a parecer-se perigosamente com uma épica rixa de saloon. Só dez anos depois a obra foi devidamente apreciada pelo público, após apresentação no mesmo local. A gorada estreia suscitou-me um sem número de reflexões. Sobretudo porque vivemos num tempo que consagrou a cultura de massas, a confusão fatal ente cultura e lazer, num território simbólico fundamental, onde a noção de consumo já não faz sentido, mas o "devir com". A indiferença "normalizada" perante os produtos saídos da indústria cultural, assim como a relativa banalização do gesto criativo, diante da auto-complacência e de uma subsidiação pública sem critérios consistentes, compõe o resto do quadro. Hoje em dia, ninguém iria patear uma obra que considerasse ultrajante ou fora do cânone. Diria simplesmente que foi "interessante", depois de abandonar a sala a meio, com medo de parecer um bota de elástico. Mas sendo este relativismo acrítico uma doença contemporânea, limitou-se, no fundo, a substituir outras, igualmente nocivas, embora mais compreensíveis, porque relapsas ao "deixa andar". O que aconteceu naquele dia de Maio de 1913 foi prodigioso! O séc. XIX e o séc. XX encontraram-se pela primeira vez cara a cara, sem subterfúgios. Com as suas linguagens inconciliáveis. O caos a irromper pela estabilidade anafada de um mundo que iria ruir no conflito que se seguiria, um ano depois. Não consigo imaginar, por muito que tente, o choque que provocou naqueles cavalheiros vitorianos da Belle Époque aquela energia vital selvagem, nitzschiana, aquela trepidação ciclotímica das figuras animadas pela música de Stravinsky. Que inauguraram, nesse preciso momento e de pleno direito, a modernidade plena. O que se passou foi como que o encontro, nada pacífico, de dois mundos. E ao contrário de outros, mais amistosos, nem sequer teve a pena de um Pero Vaz de Caminha para o imortalizar. Creio, porém, que o filme veio colmatar essa lacuna. Não sei se a expressão terá aqui inteiro cabimento, mas vou arriscar: "e nada mais seria como dantes"...