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Cinema - conferências no Teatro Municipal da Guarda
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Cinema - conferências no Teatro Municipal da Guarda
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8 SETEMBRO, às 21.30, no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG)
A CORTE DO NORTE de JOÂO BOTELHO
Portugal, 2008, 122’, M/16, DVD
Sinopse
Esta é a história de Emília de Sousa, a maior actriz que o teatro português conheceu nos finais do séc. XIX, que abandonou por uns anos a carreira para se casar com o rico madeirense Gaspar de Barros e transformar-se na baronesa Madalena do Mar. Tão bela quanto Sissi, a imperatriz da Áustria, com quem conviveu no Inverno de 1860/61, decidiu construir um mistério que perdurou por quatro gerações e por mais de um século. Ana Moreira, a protagonista, interpreta Sissi e as mulheres das quatro gerações da família: Rosalina/Emília, Águeda e Rosamund. Adaptado do romance homónimo de Agustina Bessa-Luís, o filme retoma um projecto antigo do malogrado realizador José Álvaro Morais (1943-2004).
Com Ana Moreira, Ricardo Aibéo, Rogério Samora, Laura Soveral, João Ricardo
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19 OUTUBRO, às 21.30, no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG)
Recordações da Casa Amarela de JOÃO CÉSAR MONTEIRO
Portugal, 1989, 120’, M/12, 35MM
Sinopse
Lisboa, 1989: Um pobre-diabo de meia-idade vive no quarto de uma pensão barata e familiar, na zona velha e ribeirinha da cidade. Atormentado pela doença, e por vicissitudes de ordem vária, o idiota, que se alimenta de Schubert e, quiçá, de uma vaga cinéfila como forma de resistência à miséria, é posto no olho da rua, após tentativa fruste contra o pudor da filha da dona da pensão.
Sozinho, e privado de quaisquer recursos, vê-se confrontado com a dureza do espaço urbano, e é internado num hospício, de onde sairá por ponderada decisão de homem livre, para cumprir uma missão "rica e estranha" que lhe é indicada por um velho amigo, doente mental como ele: "Vai, e dá-lhes trabalho!".
E aqui para nós, a rir a rir, algum tem dado...
Com João César Monteiro, Manuela de Freitas, Ruy Furtado, Teresa Calado, Duarte de Almeida, António Terrinha, Violeta Sarzedas, Madalena Lua, João Pedro Bénard, Sabina Sacchi, Inês de Medeiros, Manuel Gomes, Maria Ângela de Oliveira
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10 NOVEMBRO, às 21.30, no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG)
Aparelho Voador a Baixa Altitude de Solveig Nordlund
Portugal, 2002, 80’, M/12, 35MM
Sinopse
Adaptação a partir do conto homónimo de J.G. Ballard, o mesmo autor de Império Do Sol e Crash
Num futuro próximo, o mundo não é muito diferente do que é hoje, com uma excepção... Há muito poucas pessoas. E nenhuma criança. A raça humana está a caminho da extinção. Por alguma razão as mulheres já não engravidam. As poucas que o conseguem só geram seres mutantes que são imediatamente eliminados pelas autoridades. Judite Foster é fértil: já engravidou por seis vezes. De cada vez, os obrigatórios testes de gravidez mostram que se trata de um mutante e Judite foi forçada a abortar. Agora ela engravida novamente. E pensa - e se os complicados testes que fazem ao feto forem a causa das mutações? Ela e o seu marido, André, fogem da cidade para um hotel numa pequena e decadente estância balnear, na orla do continente, onde não há polícia e não há lei. Lá, Judite fica ao cuidado do enigmático Doutor Gould, que desaparece frequentemente no seu pequeno avião. Onde vai Gould? O que anda a fazer? Os temas do nascimento e da vida, da morte e do futuro misturam-se quando Judite finalmente dá à luz. Só agora Judite e André compreendem que é Gould que detém a chave da sua salvação. Só agora compreendem o significado dos voos de Gould. A solução é absolutamente estranha e animadora. Um novo mundo está a nascer, e Judite e André têm um papel na sua criação.
Com Margarida Marinho, Miguel Guilherme, Rui Morrison, Rita Sá, Canto e Castro, Isabel de Castro
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2 DEZEMBRO, às 21.30, no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG)
DUAS MULHERES de João Mário Grilo
Portugal, 2009, 99’, M/16, 35MM
Sinopse
Joana (Beatriz Batarda) e Paulo (Virgílio Castelo) são um casal aparentemente feliz, com estabilidade monetária e sem problemas de maior. Ela é psiquiatra; ele tem um cargo de topo numa multinacional. Num dia que parecia igual a todos os outros, Joana conhece Mónica (Débora Monteiro) que, com a sua beleza e juventude, vem representar tudo o que Joana foi no passado e, mais ainda, o que poderia ter sido caso tivesse tido a coragem necessária. Entre elas nasce uma atracção física incontrolável que ultrapassa os limites e que as conduzirá, inevitavelmente, à tragédia.
Com Beatriz Batarda, Nicolau Breyner, Virgílio Castelo, Débora Monteiro
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PERFILADOS DE MEDO
Perfilados de medo, agradecemos
o medo que nos salva da loucura.
Decisão e coragem valem menos
a vida sem viver é mais segura.
Aventureiros já sem aventura,
perfilados de medo combatemos
irónicos fantasmas à procura
do que não fomos, do que não seremos.
Perfilados de medo, sem mais voz,
o coração nos dentes oprimido,
os loucos, os fantasmas somos nós.
Rebanho pelo medo perseguido,
já vivemos tão juntos e tão sós
que da vida perdemos o sentido.
ALEXANDRE O’NEILL
Poemas com Endereço, 1962
É com o Portugal inquisitorial e salazarista do "Natal 71" que abrimos, em Abril, a programação quadrimestral do Cineclube.
Convocamos o poema "Perfilados de Medo" do Alexandre O’Neil para esta reflexão que suscitamos sobre o que fomos e o que somos.
Temos um grande plano sempre presente nos quatro filmes a apresentar. A nossa marca. Sempre com o cinema em português, rasgamos o olhar ao medo e à sujeição, à impotência e ao conformismo, à traição e à mentira, mas também à resistência e consciência social, ao orgulho e á altivez de seres de vontade indómita e finalmente aos desejos que nessa noite escura nos são falsamente permitidos satisfazer.
Podemos dizer que "vivemos como crianças perdidas as nossas aventuras incompletas" como nos faz o favor de lembrar alguém, um conhecido e perverso desmancha-prazeres.
Mas há um clube onde tudo é permitido. Em directo e ao vivo. Isto é directamente vivido. Pelas mãos da Margarida, da Rita, da Teresa e da Raquel vamos chegar a esse limiar.
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7 de Abril, às 21.30, no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG)
NATAL 71 de MARGARIDA CARDOSO
Portugal, 2000, 57’, M/12
DOCUMENTÁRIO
Sinopse
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Natal 71 é o nome de um disco oferecido aos militares em guerra no Ultramar português nesse mesmo ano. Cancioneiro do Niassa é o nome que foi dado a uma cassete áudio, gravada clandestinamente por militares ao longo dos anos de guerra, em Moçambique. Era o tempo em que Portugal era um grande império colonial pelo menos era o que eu lia nos livros da escola - e para que assim continuasse, o meu pai e grande parte da sua geração combateu nessa guerra, que durou treze anos. Hoje transportamos, em silêncio, essas memórias. Olho para trás e tento ver. Em casa do meu pai encontrei algumas fotografias, a cassete e o disco. A cassete é uma voz de revolta, o disco é uma peça de propaganda nacionalista. São memórias de uma ditadura fascista. Memórias de um país fechado do resto do mundo, pobre e ignorante, adormecido por uma propaganda melosa e primária que nos tentava esconder todos os conflitos, e que nos impedia de pensar e de reconhecer a natureza repressiva do regime em que vivíamos.
Margarida Cardoso
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FRÁGIL COMO O MUNDO de RITA AZEVEDO GOMES
Portugal, 2000, 90’, M/12
Sinopse
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"Terror de te amar num sítio
tão frágil como o mundo."
Sophia de Mello Breyner Andresen
Com título e epígrafe colhidos num poema de Sophia de Mello Breyner, "FRÁGIL COMO O MUNDO" foi a segunda longa-metragem de Rita Azevedo Gomes. Um universo poético muito pessoal, filmado num preto e banco austero mas sempre rigorosamente composto (fotografia de Acácio de Almeida), para uma história que é um pouco como o encontro dos magoados adolescentes dos filmes de Nicholas Ray com o lirismo sanguíneo de Werner Schroeter.
com Maria Gonçalves, João Bruno Terra, Sophie Balabanian, Carlos Ferreira, Manuela de Freitas, Duarte de Almeida (João Bénard da Costa)
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1 de Junho, às 21.30, no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG)
TRÊS IRMÃOS de TERESA VILLAVERDE
Portugal, 1994, 108’, M/12
Sinopse
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Lisboa nos anos noventa. Três irmãos, dois rapazes e uma rapariga, Maria.
Maria é o centro da nossa história. Tem vinte anos, mas não consegue comportar-se como a maioria das pessoas da sua idade. Quase nunca diz o que pensa, nem pede o que quer. Quase nunca diz a verdade embora nunca minta. Mata e não diz que matou. Sofre e não diz que sofreu. Não quer estar sozinha, mas não pede companhia. Ama, mas não sabe quem ama. Nasceu em Lisboa e nunca foi nem irá a outra cidade.
Maria quer estar sempre com os seus irmãos, mas não pode, porque o mundo não foi organizado assim. Maria quer aguentar tudo sozinha. Quer ser forte, tomar conta de todos. Guardar todos os segredos, os seus e os dos outros. Não é capaz, a dor é muito grande e ela não aguenta. Tem a polícia atrás dela, deixou de ter emprego. Tem de tomar conta do pai, alguém morreu e ela guardou segredo e tratou de tudo sozinha. No fim Maria toma uma decisão. É uma decisão brutal e definitiva.
Não é alegre esta história, mas às vezes a vida também é assim.
com Maria de Medeiros, Marcello Utghege, Laura Del Sol, Mireile Perrier, Evegni Sidihin, Olimpia Carlist, Fernando Reis Júnior, Luís Miguel Cintra
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7 de Julho, às 21.30, no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG)
VENENO CURA de RAQUEL FREIRE
Portugal, 2008, 100’, M/16
Sinopse
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Segunda longa-metragem de Raquel Freire, depois de "Rasganço". "Veneno Cura" fala de um Porto em que se morre de amor e onde há um clube, o Imperatriz, onde tudo é permitido. Um momento em que todos se cruzam na noite escura.
Há um momento em que todos nos cruzamos. Na noite escura. Quando perdes tudo o que há para Perder, o que é que te faz continuar? O teu pior? O teu melhor? O que te impede de te atirares da ponte na primeira oportunidade? O que és capaz de fazer para sobreviver à mais terrível das dores? Amas com as tripas de fora. O que és capaz de fazer por amor? Como é que sobrevives com o coração partido? Quanto tempo dura um sentimento? Tem prazo? Já morreste de amor? Não se pode viver sem amor. O amor salva. O amor mata. O amor cura. Há um Porto onde se morre de amor. Há um clube onde tudo é permitido. Imperatriz. Vem.
com Sofia Marques, Susana Vidal, Sandra Rosado, Miguel Moreira, João Garcia Miguel, Gonçalo Amorim, Ana Ribeiro, Ana Margarida Carvalho
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